Ti Manel Elviro:
Hoje, na sua companhia, a caneta não tem vontade para
muitas palavras... embora lhe apeteça conversar. É esquisito.
Quando me sento à sua beira, como nos bons velhos tempos,
gostava de lhe perguntar pelo seu Correio do Vouga que lia de fio a
pavio.
E também queria saber como ia a safra, se o ano estava a
ser bom e a produção abundante aproveitando os ventos de leste.
Igualmente se conversava sobre a eirada de milho e como
as espigas eram gradas e o grão bem cheiinho.
Claro, começávamos sempre por falar na sua azia e no
incómodo que lhe provocava e o obrigava a tomar pastilhas diariamente. Apesar
disso, os anos passavam, passavam e passavam... e todos ficámos curiosos para
ver quem ganhava a aposta que o senhor padre Manuel Maria lhe propôs: qual dos
dois chegaria aos cem anos de idade? E quase, quase que lá chegava!
Com todo o respeito do
Manuel

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