sábado, 19 de setembro de 2026

ANTÓNIO AUGUSTO VIEIRA

Olá senhor António Augusto:

Vendo-o de vassoura em punho a varrer o adro da Igreja não era fácil imaginá-lo como o braço direito do seu Reitor. Porém, quem o conhecia sabia bem quem era esse varredor que mantinha com tanto esmero a zona envolvente da Igreja.

‘Americano’ dos sete costados, dedicava as manhãs para cuidar do seu quintal como se fora um jardim; de tarde lá o encontrávamos na barbearia do sr. Vilar para dois dedos de conversa. E arranjava tempo para visitar os doentes ou os ‘pobres’ da Conferência.

Não quero ferir a sua modéstia encarecendo tudo aquilo que fez pela sua Terra e muito menos o quero pôr a rir com os êxitos do seu FCPorto ou com os ditos do seu Pai que a cantar respondia à Barbuda, e por isso aqui se fica o

                                                                              Manuel


 

sábado, 12 de setembro de 2026

ADELINO DIAS COSTA

Senhor Comendador:

Olhando para o que foi realizando ao longo da sua vida, somos confrontados com uma variedade e uma riqueza de vivências e concretizações empolgantes e motivadoras, mas que todas culminam na fábrica ADICO e na Fundação Benjamim Dias Costa. Na primeira está o homem empreendedor; na segunda, o homem evangélico.

Porém, quando vinha da pesca na Ria, passava em nossa casa e repartia a caldeirada acompanhada com sorriso aberto e franco; era o Amigo que nos visitava, acompanhava e se interessava por nós.

Por tudo muito o admira e grato lhe está o

                                                                  Manuel


 

sábado, 5 de setembro de 2026

MANUEL JOSÉ COSTEIRA

Tio Reitor:

A sua bicicleta ali está encostada; é para nós o sinal da sua vida simples, desprendida de honras e riquezas.

Nela se deslocava e tranquilamente cumpria as suas obrigações junto dos CTT, da Câmara, do Registo Civil; sendo que com ela visitava os doentes ou ia à sua Igreja para a santa Missa ou visitar o Santíssimo.

Pois foi ao dirigir-se para uma dessas visitas que, ao sair do portão e entrar na Avenida, não sei que jeito deu ao guiador, caiu pesadamente no chão. Com dificuldade se levantou e disse baixinho:

- Não digas nada às mulheres!

Nem um gemido, nem um queixume, nem uma lamúria, nem uma revolta, apenas a preocupação com os outros!

Como gostava de ser seu discípulo o

                                                           Manuel



 

sábado, 29 de agosto de 2026

ANÍBAL DE OLIVEIRA MARQUES RAMOS

    Monsenhor:

Quando, nos idos de 1959, foi nosso assistente eclesiástico  na JOC que lição de vida nos dava com o seu sorriso, a sua palavra sábia e esclarecedora e, para além de tudo, o sentirmo-lo tão próximo de nós que quase nos tratávamos tu-cá-tu-lá!

Acredite que, nesses dias, era reconfortante para nós sentarmo-nos a seu lado. Porém, hoje, não podemos deixar de lhe dizer que a nossa admiração por esse seu ‘estar’ é enorme ao olhar para a sua ‘pessoa’: tantos títulos, cargos e funções na Diocese de Aveiro!

Contudo é, quando me sento nos bancos da Igreja para participar na Eucaristia, que mais me lembro de si pois «a partir de 1975, há longos anos, dedicou sua atividade à causa da Liturgia, não só em Portugal e na Europa, mas também na América e na África... Mons. Aníbal, e a equipa de que se fez rodear, tinha ensinado Portugal a rezar.»

Por tudo isto muito grato lhe está o                                                                                                          Manuel



 

sábado, 22 de agosto de 2026

JOÃO MARIA BOLA


                     Senhor Regedor:

Ó Ti João, estou a tratá-lo por ‘senhor’ para que, no caso (improvável) de algum jovem nos estar a ouvir, saiba que a sua função de ‘regedor’ era de capital importância e de muita categoria, quando abraçada com espírito de servir a Comunidade.

Era assim que o meu bom Amigo se comportava e não faltam exemplos e situações que o confirmam já que estava sempre pronto a ajudar quem de si se aproximava em dificuldade ou, por outro lado, mostrava-se ‘severo’ ao  ver que o outro se excedia …

Quem é que agora se recorda do Regedor? E das rondas que fazia de noite, percorrendo a freguesia na sua mota, acompanhado pelo seu cabo Manuel Catraio?!

Olhe, há dias, alguém me colocou uma questão que me deixou a pensar: será que nos dias de hoje o senhor seria respeitado e a sua tarefa contribuiria para uma maior paz social?

Gostava de saber a sua opinião o

                                                                Manuel

sábado, 15 de agosto de 2026

MANUEL RIBAU LOPES LÉ


 

Olá Senhor Prior:

O seu sorriso leva-nos para bem longe no tempo e no espaço. Podemos reviver a primeira viagem em que, na sua mota, me conduziu até A-dos-Ferreiros, para fazer uma visita às duas colmeias onde as abelhas ‘entravam e saíam’. [Lembra-se?! Foi para mim um duplo baptismo: ‘andar de mota’ e ‘entrada no mundo das abelhas’.]

Claro que de si é de esperar tudo mas, quando o vi, em mangas de camisa sem máscara nem luvas, levantar o telhado da colmeia e mexer nos quadros como se nada fosse, com as abelhas a zunir... e terminar a sua observação sem a mínima picadela...

Depois lá vinha a extracção do mel com igual descontração... e aprender a saborear o mel com a ‘colher’ de cebola...ah!... que lições de vida! Mas não ficava por aqui...

Com a cera que aproveitava, ei-lo a acender o fogão e engenhosamente, com um sistema artesanal por si engendrado, vai fundindo e paulatinamente toma forma o círio que servirá para as cerimónias pascais!

E é isto, senhor Prior, continua a aprender consigo o

                                                                           Manuel

sábado, 8 de agosto de 2026

MARCOS CIRINO DA ROCHA


 

Caro Marcos Cirino:

Como era reconfortante e enriquecedor o seu conversar mas, ao mesmo tempo, interpelante. À sua beira o pão era pão e o queijo, queijo; sem hesitações.

Não posso esquecer o seu entusiasmo quando se falava nas ‘lutas’ que, ao longo das décadas, se foram travando para o melhor viver dos nossos antepassados. Como a voz se lhe erguia e alterava!

O muito amor que sempre nutriu pela sua Gafanha fluía agora  pelas suas mãos nas miniaturas que nos encant(av)am e quase nos acen(av)am nas prateleiras. A História da Ria e até a de Portugal vem a reboque de cada um dos seus barcos!

Em si, e extensiva  a todos os que me ensinaram a ler a vida,  fica a gratidão do

                                        Manuel