Senhor
Padre Nédio:
Olhe,
sabe uma coisa? A sua boa disposição fazia-nos bem e a sua conversa era
animadora. Pegava na voz do povo e lá íamos: « O Senhor dá os dias de graça e pelas
noites não leva nada!» Ou então: «Mais vale um ano de tarimba do que
cinco de Coimbra.»
Logo a seguir podia
vir a receita para uma suposta dor: «Dor ciática? Nada que não se resolva
com 2 pinhas verdes, folhas de hera;
tudo metido em aguardente; ferver … friccionar.»
E as suas histórias?
As cenas da vida?
Lembro só aquela de «o morto
que matou o vivo. Eu estava em Rocas. Numa terra lá perto houve um funeral;
quatro homens levavam o caixão. A dada altura, um dos
homens de trás, escorregou, e os outros não seguraram. Resultado? O caixão
caiu-lhe em cima e matou-o! … Foi assim que o morto matou o vivo!»
Era
um nunca mais acabar! Mas fiquemos por aqui agora com o bem-haja do






