sábado, 16 de maio de 2026

MANUEL ÓSCAR DA ROCHA FERNANDES

Caro Óscar:

Se calhar nem imaginas que a tua bicicleta foi oferecida pelo teu Pai para eu ir todos os dias para o Liceu de Aveiro. Claro que teve de ser “restaurada” porque lhe deste um bom uso; foi repintada de verde e baptizada como a Balalaica!

Companheira fiel durante cinco anos (lá para o quarto ano os joelhos já batiam forte no guiador... mas não havia outro remédio: teve que aguentar!), não admira que tenha tido as suas maleitas, logo a começar pelos pedais, ora caía o direito ora o esquerdo; depois era a corrente...

Uma coisa te digo: estou-te muito grato pois, sem ela, ir para Aveiro a pé seria mais custoso... (os tostões eram tão escassos que às vezes nem para a bucha chegava! Belos tempos para esquecer!) e por isso aqui fica o abraço do

                                        Manuel


 

sábado, 9 de maio de 2026

JOÃO MARIA PEREIRA JÚNIOR


 

Senhor João, Meu Bom Amigo:

Entrei no Liceu pela sua mão; toda a minha papelada da matrícula foi preenchida com a sua bela e legível caligrafia, terminando com a sua assinatura de Encarregado de Educação. [Esta estória de termos um Cagaréu como Encarregado da Educação de um ignorado e imberbe Facica é longa e fica por contar!...]

O certo é que a nossa relação se foi reforçando e, ao longo da minha juventude, a sua presença foi constante, tranquilizadora e, por vezes, além de motivadora, suscitava admiração.

Quando me acompanhou a Coimbra para me “introduzir” no Magistério... e depois, abrir-me as portas de sua casa, para me preparar o ingresso no serviço militar... oh! senhor João, e eu que nunca tive jeito para lhe mostrar a minha gratidão!

Ao seu Encarregado de Educação hoje lhe escancara o coração o

Manuel

sábado, 2 de maio de 2026

JOSÉ ESTÊVÃO COELHO DE MAGALHÃES

Senhor Deputado:

É curioso mas estou certo que não imagina onde foi o nosso primeiro encontro... Veja lá! Foi a pedalar rumo ao liceu... quantos anos já se passaram, mas sempre me dá muito prazer poder cruzar-me com V.a Exc.ª e poder saborear esse seu ar de pessoa honrada que não fica a dever nada a ninguém.

Olhamos e vemos alguém que « Só não foi grande na riqueza. Honrou e fez progredir a sua terra natal e o seu país.»

A propósito, recordo sempre, com admiração e um sorriso, a sua conversa amena e descontraída com a Joana Maluca e aquela cena do vendaval terrível que “encomendou” para convencer um político de que a estrada para a Costa Nova era uma necessidade!

Veja lá se arranja alguns amigos para as nossas bandas, lhe solicita o

        Manuel


 

sábado, 25 de abril de 2026

SALVIANO AUGUSTO DA SILVA CONDE


 

Caríssimo Professor:

Há coisas que não é preciso dizer, são evidentes.

Entrou nos caminhos da minha vida na matrícula da 4ª classe quando, contra factos e argumentos, me aceitou para a nova Escola da Marinha Velha que ia iniciar, em 1950.

Estou depois a vê-lo, em minha casa, a levar os meus pais para o seu ‘moinho’: Deixem ir o rapaz estudar! E o falar nem sempre é fácil quando nem pão, o mais básico, havia na mesa!!

Ganha esta causa, coloca-se incondicionalmente a meu lado (leia-se: preparação intensiva para o exame da admissão...) e a recompensa foi um sorriso abraçado na alma... que se prolongou e continua presente (ao qual procurei retribuir sempre com moeda do mesmo valor!).

É este «valor» que ainda hoje procura, que a si o deve e muito lhe agradece o seu aluno

                            Manuel

sábado, 18 de abril de 2026

MANUEL DA ROCHA FERNANDES


 

Senhor Rocha:

Quando nos encontrávamos a conversa era fácil e versava sempre sobre a nossa Terra; já estava reformado das funções de mestre das oficinas da Base de S. Jacinto e a presidência da Junta de Freguesia há muito ficara para trás.

Mesmo nos anos de mil novecentos e quarenta, cinquenta e sessenta, quando era o ‘Senhor Presidente’, foi sempre fácil falar consigo e obter o atestado ou a declaração que muito jeito nos fazia.

Mas uma coisa que o acompanhou pela vida fora foi a música, a música sacra e a popular nos cânticos para o cortejo dos Reis.

Aceite os cumprimentos respeitosos do

                                                        Manuel

sábado, 11 de abril de 2026

MANUELMARIA BOLAIS MÓNICA

Mestre:

Sabe uma coisa? Agora quase ninguém fala de si; de facto, já lá vão os tempos em que a sua figura era enaltecida e se valorizava a alavanca que dinamizou a Gafanha e arredores.

Cá pelo meu lado, não adianto nada a esses hinos, apenas recordo quando a falta de trabalho era muita e a fome apertava, era o seu Estaleiro o refúgio e a côdea que davam a esperança em melhores dias!

E era com toda a alma que batíamos palmas quando terminava o seu inflamado discurso e mais um navio se atirava às águas da Ria!

Como não usa boina, bate-lhe a pala o

                                        Manuel


 

sábado, 4 de abril de 2026

MANUEL JOSÉ DA SILVA

Ti Zézé:

Falar de vizinhança, comunidade, laços de fraternidade... e por aí além... está fora de moda, ninguém nos ouve nem entende até porque a memória é curta. Fácil é falar de coisas que nos saciem a barriga, por exemplo.

Mas não vou por aí. Aproveitando a fotografia [que agradeço], lembro o “livro dos calotes” onde era apontado o que os ‘pobres’ levavam sem pagar:

-Aponte no livro! Eu pago quando receber!

E a vida corria com a garantia da palavra que era ouro!

Em fase difícil da nossa Família, também o seu livro registou muitas parcelas que os meus Pais se apressavam a mandar riscar logo que a semanada ou a quinzena o permitiam.

E a vida continuou e hoje aqui está a recordá-lo e a agradecer-lhe o

                    Manuel