sábado, 7 de março de 2026

JOÃO FERREIRA SARDO

Senhor Prior Sardo:

Confesso que só o «encontrei» quando já era rapaz de bigode e quedei-me a saborear a figura, a acção e o exemplo do nosso primeiro Prior.

E quando chegava a este último aspecto, o do exemplo, acredite que me encheu a alma de um profundo respeito e admiração. Então o senhor Prior que foi Capelão da Comunidade, o fundador da Paróquia, o primeiro Pároco, o dinamizador da construção da Igreja Matriz (e fiquemos por aqui na enumeração...), quando a saúde o abandonou, o senhor deixou de ser o Pároco e foi humilde coadjutor do Prior Guerra?!...

Com todo o respeito do

                            Manuel


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

JOSÉ FRANCISCO CORUJO

Senhor Prior Guerra:

Tão distante no tempo e no espaço que não consigo divisá-lo pois, quando meu Pai me levava pela mão para assistir à Missa, era um pequerrucho de sete anos muito ensonados. Pouco depois o senhor Prior deixou-nos. E que imagens me ficaram?

Quando chegava a hora de subir ao Altar, a voz grossa dos homens enchia o templo: Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento da Eucaristia!

E logo respondiam as vozes melodiosas das mulheres: Fruto do ventre sagrado da Virgem Puríssima Santa Maria!

E aquela multidão de gente incontável que enchia a Igreja (e extravasava até à estrada que atravessava e só parava no balcão da loja que ficava em frente), ouvia o latim, ia-se benzendo e genuflectindo, a começar no Altar e acabando no balcão.

A sua figura austera e acolhedora fixou-se e perdura na memória do

                           Manuel


 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

JOÃO OLIVEIRA [ANDRÉ]


 

Ti João:

Quando vocês chegavam do bacalhau era ver-vos sempre activos já a preparar as roupas e a palamenta para a próxima viagem. Mas isso não esgotava toda a vossa ocupação, pois muitos tratavam da horta, da pintura de alguma porta ou... até da matança dos porcos que esperavam por vós. E o ti João era o matador do nosso canto.

Não vamos deter-nos muito na cena; lembro apenas aquela vez que, estando o animal já «morto» e a ser chamuscado, aí se levantou presto e pôs-se a correr pelo carreiro...

Mas o que importa é agradecer-lhe o cuidado que punha na preparação da bexiga que servia para as nossas jogatanas... até rebentar!

Tem saudades o

Manuel

sábado, 14 de fevereiro de 2026

MÁRIO FILIPE RAMOS


 

Olá Tio Mário:

Na fotografia lê-se NEPTUNO SEGUNDO 1948!

Parece que ainda estou a ver o Tio sentado no bote a remar para vir ao cais do Forte buscar a Tia e o vosso filho Amílcar (claro que eu também fui!). O navio tinha encalhado no canal de S. Jacinto, na restinga das duas águas.

Chegados, levou-nos para o rancho e aqui aconteceu a maravilha de bebermos café quente e comermos um pedação de parrula que saciou a nossa fome! Passados todos estes anos como é que aquele sabor ainda perdura!?

E quantas vezes fomos à festa de Nossa Senhora dos Navegantes: o Tio à frente a tocar a sua concertina e nós atrás a marchar alegremente como se o mundo fosse nosso?!

Tem muitas razões para lhe estar grato o seu sobrinho

                                                                        Manuel

sábado, 7 de fevereiro de 2026

JOSÉ FERREIRA DE OLIVEIRA


 

Senhor Professor:

Por alguns dos seus alunos o conheci como professor que à sua profissão dedicava o melhor de si.

Mais tarde, quando me debrucei sobre o passado da nossa Terra, fiquei a saber que o senhor professor Oliveira foi o presidente da primeira Junta da Paróquia da Gafanha da Nazaré (durante a gerência de 27 de Outubro de 1910 a 31 de Dezembro de 1913; após a implantação da República).

Contudo, o mais surpreendente para mim foi ter descoberto que, na sua função de responsável do Registo Civil, na Gafanha da Nazaré, foi a primeira pessoa a escrever o meu nome completo, depois de o sugerir a meu Pai que o aceitou.

Por tudo isto, a admiração e o respeito do

                                                                Manuel

sábado, 31 de janeiro de 2026

JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA


 

Pai:

Foi, de facto, o tabaco que o arrebatou do nosso seio cedo demais; contudo o Pai fez da sua vida um cântico belo que nos legou.

Bem se esforçava para assinar o seu nome que saía sempre às cambalhotas e com algumas letras trocadas; mas ao limpar o suor que o esforço provocara, sorria e revia-se na sua assinatura.

Era assim também com os filhos: cada um era uma flor que contemplava, acarinhava, repreendia e lançava para o futuro. E lá vinham as sentenças: Juízo e tino e corda para o sino! A cama que fizeres nela te deitarás!

O que também nos admirava era a preocupação que mostrava pelos outros, a começar pelos camaradas de trabalho. Então a palavra prudente da Mãe o fazia repensar e o trazia para a realidade da vida e não ficar sem a camisa!

Olhe, e sabe uma coisa? Ainda hoje, de ir consigo à Missa ao nascer do Sol e ficar no altar do Sagrado Coração de Jesus, tem saudades o filho

                Manuel

sábado, 27 de dezembro de 2025

MARIA DAS DORES DA ROCHA

 

Mãe:

Sem saber ler nem escrever, sempre me fascinou a extraordinária maneira como conjugava os verbos ser, ter, partilhar.

Chegar o Pai a casa, pôr em cima da mesa a magra e apetecida féria, era um momento!

Vê-la deixar tudo o que estivesse a fazer para se sentar a olhar para as poucas notas e moedas juntas naquele montinho, era o segundo momento!

E começava «Tanto para a loja; este para uns tamancos para a Isaura; para o caderno do Artur este...» e concluía voltada para o Pai:

- Toma lá vinte e cinco tostões para o tabaco da semana... que ele é que te há-de levar à sepultura!

Como gostaria de não esquecer as suas lições e sentir sempre o calor do seu colo o filho

Manuel