Pai:
Foi, de facto, o tabaco que o arrebatou do nosso seio cedo demais; contudo o Pai fez da sua vida um cântico belo que nos legou.
Bem se esforçava para assinar o seu nome que saía sempre às cambalhotas e com algumas letras trocadas; mas ao limpar o suor que o esforço provocara, sorria e revia-se na sua assinatura.
Era assim também com os filhos: cada um era uma flor que contemplava, acarinhava, repreendia e lançava para o futuro. E lá vinham as sentenças: Juízo e tino e corda para o sino! A cama que fizeres nela te deitarás!
O que também nos admirava era a preocupação que mostrava pelos outros, a começar pelos camaradas de trabalho. Então a palavra prudente da Mãe o fazia repensar e o trazia para a realidade da vida e não ficar sem a camisa!
Olhe, e sabe uma coisa? Ainda hoje, de ir consigo à Missa ao nascer do Sol e ficar no altar do Sagrado Coração de Jesus, tem saudades o filho
Manuel



