Senhor Padre Ângelo:
Melhor do que eu nos falará o seu grande Amigo D. Júlio Tavares Rebimbas
[no livro Alegria de Viver, p. 133]:
«O meu amigo, padre Ângelo Ruela Cirne, mais velho
do que eu dois anos, inteligente e de reacções imprevistas, morreu numa reunião
de curso no caminho de Abrantes para o Monte da Murtosa, onde era pároco
exemplar. Tenho a maior veneração pela sua memória e foi um grande amigo que
perdi. Um dia – éramos ainda estudantes - convidaram-no para pregar um sermão a
São Gonçalo de Amarante.
Com muita insistência lá o convenceram. Era no mês
de Janeiro, no tempo das castanhas assadas e, seja o que Deus quiser.
Pregou, andou pelas circunstâncias, entusiasmou-se
e, quando o sermão ia a meio, entalou, começou a gesticular, nós fugimos
depressa da capela e ouvimos ainda: “... o São Gonçalo era, não era, foi, não
foi, mas devia ser e não devia ser, não era o casamenteiro das velhas como
corre para aí, mas como remate, era um santo, um santo, um santo”: “come il faut” e
consegue o cúmulo do entusiasmo com a tradução livre: quer dizer: “um santo que
Deus te livre!”... Fugimos todos e o santo deve ter sorrido dos encómios
entusiasmados do saudoso padre Ruela.
À porta da capela um velhote saía depressa e outro
que entrava: “onde é que vai com essa pressa, senhor José”?!... “Vou sair
depressa da capela que o padre está lá metido numa alhada e não sei como sairá
dela.”»
Aceite a admiração grata do






