Caríssimo:
Fui um
privilegiado: foste um grande Amigo!
Hoje vou
recordar um momento da tua agitada vida que nos mostra uma das facetas da pesca
do bacalhau e aproveito para te pôr a falar como tanto gostavas de fazer:
«QUE
GRANDE SUSTO! Foi o susto mais duro da minha vida da
pesca do bacalhau, para além dos maus tempos, nevoeiros, tempestades...
Era
de noite. Regressava da faina, à vela e a remos. Mas estava sozinho, ninguém
perto de mim.
Então
um dos remos bateu em algo... e que vejo!?... encostada ao bote uma baleia que
veio à superfície respirar....alto e forte jacto de gás e água... mergulhou
novamente e ... levantou do outro lado do bote...
Paralisado
e sem saber o que fazer, comecei a remar ao desatino... lembrei-me de escoar a
água ensanguentada do fundo do bote que ao cair no mar espalhava a arda...
talvez a baleia fosse atrás do cheirume do bacalhau...e remar com quanta força
tinha...
Fosse como fosse, deixou-me e consegui chegar ao navio!»
Aí o tens e, por alguma imprecisão e pela falta de colorido, te
pede desculpa o teu compadre
Manuel





