sábado, 17 de outubro de 2026

ANTÓNIO FERNANDO DE SOUSA TAVARES CASCAIS

Olá Fernando:

Os anos vão passando mas é bom parar e recordar as vezes que trocávamos impressões e nos esclarecíamos sobre o que a vida nos apresentava e questionava.

Apesar de ser o Senhor Presidente da Câmara da Murtosa, a sua postura e o seu falar eram os da pessoa mais simples, amiga, disponível e solidária que se possa imaginar.

Sendo assim, nada mais natural do que vê-lo como Provedor da Santa Casa da Misericórdia, instituição que serviu vários anos.

Para terminar, digo-lhe que sempre me causou muita admiração o facto de estacionar o seu automóvel em qualquer rua ou caminho e deixá-lo sem nunca o fechar!

Sempre à espera de um boa conversa fica o

                                                       Manuel 


 

sábado, 10 de outubro de 2026

TOMÁS TAVARES DE SOUSA

Caro Doutor Tomás:

Era sempre um prazer sentar-me à sua beira, à sombra da parreira, e ouvir a sua douta opinião sobre a dúvida ou simples curiosidade que lhe apresentasse. Lá vinham à baila os moliços, o vinho, as abelhas, …

Também a sua biblioteca, posta à nossa disposição, era tema de conversa e então era um não mais acabar de vivências e recordações onde pontificavam os antepassados e as suas tradições.

Regalo para os olhos e motivo de muita admiração, o alinhamento regular das culturas, o traçado dos galinheiros, a arrumação das máquinas antigas fora de uso...

Mas o seu moinho ainda hoje faz sonhar o                                                                                   Manuel


 

sábado, 3 de outubro de 2026

ÂNGELO RUELA CIRNE

Senhor Padre Ângelo:

Melhor do que eu nos falará o seu grande Amigo D. Júlio Tavares Rebimbas [no livro Alegria de Viver, p. 133]:

«O meu amigo, padre Ângelo Ruela Cirne, mais velho do que eu dois anos, inteligente e de reacções imprevistas, morreu numa reunião de curso no caminho de Abrantes para o Monte da Murtosa, onde era pároco exemplar. Tenho a maior veneração pela sua memória e foi um grande amigo que perdi. Um dia – éramos ainda estudantes - convidaram-no para pregar um sermão a São Gonçalo de Amarante.

Com muita insistência lá o convenceram. Era no mês de Janeiro, no tempo das castanhas assadas e, seja o que Deus quiser.

Pregou, andou pelas circunstâncias, entusiasmou-se e, quando o sermão ia a meio, entalou, começou a gesticular, nós fugimos depressa da capela e ouvimos ainda: “... o São Gonçalo era, não era, foi, não foi, mas devia ser e não devia ser, não era o casamenteiro das velhas como corre para aí, mas como remate, era um santo, um santo, um santo”: “come il faut” e consegue o cúmulo do entusiasmo com a tradução livre: quer dizer: “um santo que Deus te livre!”... Fugimos todos e o santo deve ter sorrido dos encómios entusiasmados do saudoso padre Ruela.

À porta da capela um velhote saía depressa e outro que entrava: “onde é que vai com essa pressa, senhor José”?!... “Vou sair depressa da capela que o padre está lá metido numa alhada e não sei como sairá dela.”»

Aceite a admiração grata do

                                                        Manuel 


 

sábado, 26 de setembro de 2026

ALFREDO FERNANDES RENDEIRO

Senhor Alfredo:

Nas visitas que lhe fazia na sua casa do Monte observava a maneira paciente como suportava as suas dificuldades. Tendo ficado cego, a vida ficou-lhe virada do avesso. Mas era sempre com um sorriso franco e aberto que nos recebia e aproveitávamos para recordar algumas etapas do seu já longo viver.

Claro que vinha à baila a sua passagem pela Junta de Freguesia, como Presidente ou Vogal, mas sempre com mais frequência as ‘viagens’ aos Estados Unidos da América. E então a voz tremia um pouco mais não tanto pelas vivências dessas longas estadias mas porque por lá se quedavam os filhos e netos...

Era o espelho de uma geração de Emigrantes de que as nossas Terras são tão ricas e que muito respeito merece ao

   Manuel



 

sábado, 19 de setembro de 2026

ANTÓNIO AUGUSTO VIEIRA

Olá senhor António Augusto:

Vendo-o de vassoura em punho a varrer o adro da Igreja não era fácil imaginá-lo como o braço direito do seu Reitor. Porém, quem o conhecia sabia bem quem era esse varredor que mantinha com tanto esmero a zona envolvente da Igreja.

‘Americano’ dos sete costados, dedicava as manhãs para cuidar do seu quintal como se fora um jardim; de tarde lá o encontrávamos na barbearia do sr. Vilar para dois dedos de conversa. E arranjava tempo para visitar os doentes ou os ‘pobres’ da Conferência.

Não quero ferir a sua modéstia encarecendo tudo aquilo que fez pela sua Terra e muito menos o quero pôr a rir com os êxitos do seu FCPorto ou com os ditos do seu Pai que a cantar respondia à Barbuda, e por isso aqui se fica o

                                                                              Manuel


 

sábado, 12 de setembro de 2026

ADELINO DIAS COSTA

Senhor Comendador:

Olhando para o que foi realizando ao longo da sua vida, somos confrontados com uma variedade e uma riqueza de vivências e concretizações empolgantes e motivadoras, mas que todas culminam na fábrica ADICO e na Fundação Benjamim Dias Costa. Na primeira está o homem empreendedor; na segunda, o homem evangélico.

Porém, quando vinha da pesca na Ria, passava em nossa casa e repartia a caldeirada acompanhada com sorriso aberto e franco; era o Amigo que nos visitava, acompanhava e se interessava por nós.

Por tudo muito o admira e grato lhe está o

                                                                  Manuel


 

sábado, 5 de setembro de 2026

MANUEL JOSÉ COSTEIRA

Tio Reitor:

A sua bicicleta ali está encostada; é para nós o sinal da sua vida simples, desprendida de honras e riquezas.

Nela se deslocava e tranquilamente cumpria as suas obrigações junto dos CTT, da Câmara, do Registo Civil; sendo que com ela visitava os doentes ou ia à sua Igreja para a santa Missa ou visitar o Santíssimo.

Pois foi ao dirigir-se para uma dessas visitas que, ao sair do portão e entrar na Avenida, não sei que jeito deu ao guiador, caiu pesadamente no chão. Com dificuldade se levantou e disse baixinho:

- Não digas nada às mulheres!

Nem um gemido, nem um queixume, nem uma lamúria, nem uma revolta, apenas a preocupação com os outros!

Como gostava de ser seu discípulo o

                                                           Manuel