sábado, 11 de abril de 2026

MANUELMARIA BOLAIS MÓNICA

Mestre:

Sabe uma coisa? Agora quase ninguém fala de si; de facto, já lá vão os tempos em que a sua figura era enaltecida e se valorizava a alavanca que dinamizou a Gafanha e arredores.

Cá pelo meu lado, não adianto nada a esses hinos, apenas recordo quando a falta de trabalho era muita e a fome apertava, era o seu Estaleiro o refúgio e a côdea que davam a esperança em melhores dias!

E era com toda a alma que batíamos palmas quando terminava o seu inflamado discurso e mais um navio se atirava às águas da Ria!

Como não usa boina, bate-lhe a pala o

                                        Manuel


 

sábado, 4 de abril de 2026

MANUEL JOSÉ DA SILVA

Ti Zézé:

Falar de vizinhança, comunidade, laços de fraternidade... e por aí além... está fora de moda, ninguém nos ouve nem entende até porque a memória é curta. Fácil é falar de coisas que nos saciem a barriga, por exemplo.

Mas não vou por aí. Aproveitando a fotografia [que agradeço], lembro o “livro dos calotes” onde era apontado o que os ‘pobres’ levavam sem pagar:

-Aponte no livro! Eu pago quando receber!

E a vida corria com a garantia da palavra que era ouro!

Em fase difícil da nossa Família, também o seu livro registou muitas parcelas que os meus Pais se apressavam a mandar riscar logo que a semanada ou a quinzena o permitiam.

E a vida continuou e hoje aqui está a recordá-lo e a agradecer-lhe o

                    Manuel


 

sábado, 28 de março de 2026

ANTÓNIO JOÃO DA ROCHA

Olá Tio:

Apetecia-me falar da sua surpreendente “malhadeira”, mas vamos mais uma vez até à Ria e, hoje, pela mão do Artur que muito o acompanhou nessas aventuras.

«No Rebocho. A maré estava vazia. Antes de chegar às marinhas havia um esteiro com alguma água, e de ambos os lados bastantes torrões e era aí que as enguias se metiam.

Logo o António João sai fora do bote e começa a apalpar nos buracos que ele via, pois isto ainda era lusco-fusco, que mal se via, mas de Verão fazia quente. A certa altura diz ele, quando meteu as mãos em mais uma toca:

- Cá está uma das tais!



Ainda não tinha acabado de falar, deu um grito e retirando a mão, em lugar de ser uma boa enguia, trazia um rato com os dentes ferrados num dedo que por pouco lho não cortou. O tio tanto apertou o maldito do rato que lhe cortou o pescoço. Na mão só se via sangue. Lavou-a e depois pôs-lhe o lenço de assoar para lhe estancar o sangue.

Lá fomos para as enguias mas, desta vez, foi a escoar uns poços à mão com baldes plásticos.»

Com uma boa gargalhada aflita, fica por aqui o seu sobrinho

                                                                            Manuel 


 

sábado, 21 de março de 2026

ARMANDO SOARES FERRAZ

Olá Ti Armando:

Como me lembro das nossas conversas à sombra da palmeira do Zé da Branca, do seu sorriso, da simplicidade das palavras, do quase pedir desculpa para falar!

Mas logo que entrava na «caixa mágica» era o rei e todos se calavam para o ouvir; sim, que nas suas estórias a justiça, o bem, o bom e o belo triunfavam sempre.

Ah, grande homem que deixou rasto profundo no nosso Canto, na nossa Terra e arredores!

Acredite que a sua palheta ainda hoje faz sorrir o

                                                                    Manuel 


 

sábado, 14 de março de 2026

JOÃO FRANCISCO DA ROCHA


 

Viva Tio João Maria:

A fotografia mostra uma das marcas que deixou na nossa Casa do Monte. Só esta recordação era suficiente para justificar o postal; de facto, o Tio era mestre na construção civil: a obra saía das suas mãos limpa, perfeita e com arte.

Mas a nossa admiração cresce quando se lê o que escreveu Joaquim Duarte: «Outro homem estimado em S. Jacinto, na Base, foi o ti João Maria Facica, também pedreiro, sempre solícito para com todos os seus colegas de trabalho. Corretíssimo no trato, foi para mim uma surpresa quando um dia o vi no salão do Ti António Carinhas, em S. Jacinto, com um grupo de teatro amador, da Gafanha, onde ele pontificava como ensaiador e actor.»

«E esta, hein?!», como dizia o outro, é o que, cá para nós, apetece dizer ao seu sobrinho

                        Manuel

sábado, 7 de março de 2026

JOÃO FERREIRA SARDO

Senhor Prior Sardo:

Confesso que só o «encontrei» quando já era rapaz de bigode e quedei-me a saborear a figura, a acção e o exemplo do nosso primeiro Prior.

E quando chegava a este último aspecto, o do exemplo, acredite que me encheu a alma de um profundo respeito e admiração. Então o senhor Prior que foi Capelão da Comunidade, o fundador da Paróquia, o primeiro Pároco, o dinamizador da construção da Igreja Matriz (e fiquemos por aqui na enumeração...), quando a saúde o abandonou, o senhor deixou de ser o Pároco e foi humilde coadjutor do Prior Guerra?!...

Com todo o respeito do

                            Manuel


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

JOSÉ FRANCISCO CORUJO

Senhor Prior Guerra:

Tão distante no tempo e no espaço que não consigo divisá-lo pois, quando meu Pai me levava pela mão para assistir à Missa, era um pequerrucho de sete anos muito ensonados. Pouco depois o senhor Prior deixou-nos. E que imagens me ficaram?

Quando chegava a hora de subir ao Altar, a voz grossa dos homens enchia o templo: Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento da Eucaristia!

E logo respondiam as vozes melodiosas das mulheres: Fruto do ventre sagrado da Virgem Puríssima Santa Maria!

E aquela multidão de gente incontável que enchia a Igreja (e extravasava até à estrada que atravessava e só parava no balcão da loja que ficava em frente), ouvia o latim, ia-se benzendo e genuflectindo, a começar no Altar e acabando no balcão.

A sua figura austera e acolhedora fixou-se e perdura na memória do

                           Manuel