sábado, 28 de março de 2026

ANTÓNIO JOÃO DA ROCHA

Olá Tio:

Apetecia-me falar da sua surpreendente “malhadeira”, mas vamos mais uma vez até à Ria e, hoje, pela mão do Artur que muito o acompanhou nessas aventuras.

«No Rebocho. A maré estava vazia. Antes de chegar às marinhas havia um esteiro com alguma água, e de ambos os lados bastantes torrões e era aí que as enguias se metiam.

Logo o António João sai fora do bote e começa a apalpar nos buracos que ele via, pois isto ainda era lusco-fusco, que mal se via, mas de Verão fazia quente. A certa altura diz ele, quando meteu as mãos em mais uma toca:

- Cá está uma das tais!



Ainda não tinha acabado de falar, deu um grito e retirando a mão, em lugar de ser uma boa enguia, trazia um rato com os dentes ferrados num dedo que por pouco lho não cortou. O tio tanto apertou o maldito do rato que lhe cortou o pescoço. Na mão só se via sangue. Lavou-a e depois pôs-lhe o lenço de assoar para lhe estancar o sangue.

Lá fomos para as enguias mas, desta vez, foi a escoar uns poços à mão com baldes plásticos.»

Com uma boa gargalhada aflita, fica por aqui o seu sobrinho

                                                                            Manuel 


 

sábado, 21 de março de 2026

ARMANDO SOARES FERRAZ

Olá Ti Armando:

Como me lembro das nossas conversas à sombra da palmeira do Zé da Branca, do seu sorriso, da simplicidade das palavras, do quase pedir desculpa para falar!

Mas logo que entrava na «caixa mágica» era o rei e todos se calavam para o ouvir; sim, que nas suas estórias a justiça, o bem, o bom e o belo triunfavam sempre.

Ah, grande homem que deixou rasto profundo no nosso Canto, na nossa Terra e arredores!

Acredite que a sua palheta ainda hoje faz sorrir o

                                                                    Manuel 


 

sábado, 14 de março de 2026

JOÃO FRANCISCO DA ROCHA


 

Viva Tio João Maria:

A fotografia mostra uma das marcas que deixou na nossa Casa do Monte. Só esta recordação era suficiente para justificar o postal; de facto, o Tio era mestre na construção civil: a obra saía das suas mãos limpa, perfeita e com arte.

Mas a nossa admiração cresce quando se lê o que escreveu Joaquim Duarte: «Outro homem estimado em S. Jacinto, na Base, foi o ti João Maria Facica, também pedreiro, sempre solícito para com todos os seus colegas de trabalho. Corretíssimo no trato, foi para mim uma surpresa quando um dia o vi no salão do Ti António Carinhas, em S. Jacinto, com um grupo de teatro amador, da Gafanha, onde ele pontificava como ensaiador e actor.»

«E esta, hein?!», como dizia o outro, é o que, cá para nós, apetece dizer ao seu sobrinho

                        Manuel

sábado, 7 de março de 2026

JOÃO FERREIRA SARDO

Senhor Prior Sardo:

Confesso que só o «encontrei» quando já era rapaz de bigode e quedei-me a saborear a figura, a acção e o exemplo do nosso primeiro Prior.

E quando chegava a este último aspecto, o do exemplo, acredite que me encheu a alma de um profundo respeito e admiração. Então o senhor Prior que foi Capelão da Comunidade, o fundador da Paróquia, o primeiro Pároco, o dinamizador da construção da Igreja Matriz (e fiquemos por aqui na enumeração...), quando a saúde o abandonou, o senhor deixou de ser o Pároco e foi humilde coadjutor do Prior Guerra?!...

Com todo o respeito do

                            Manuel


 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

JOSÉ FRANCISCO CORUJO

Senhor Prior Guerra:

Tão distante no tempo e no espaço que não consigo divisá-lo pois, quando meu Pai me levava pela mão para assistir à Missa, era um pequerrucho de sete anos muito ensonados. Pouco depois o senhor Prior deixou-nos. E que imagens me ficaram?

Quando chegava a hora de subir ao Altar, a voz grossa dos homens enchia o templo: Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento da Eucaristia!

E logo respondiam as vozes melodiosas das mulheres: Fruto do ventre sagrado da Virgem Puríssima Santa Maria!

E aquela multidão de gente incontável que enchia a Igreja (e extravasava até à estrada que atravessava e só parava no balcão da loja que ficava em frente), ouvia o latim, ia-se benzendo e genuflectindo, a começar no Altar e acabando no balcão.

A sua figura austera e acolhedora fixou-se e perdura na memória do

                           Manuel


 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

JOÃO OLIVEIRA [ANDRÉ]


 

Ti João:

Quando vocês chegavam do bacalhau era ver-vos sempre activos já a preparar as roupas e a palamenta para a próxima viagem. Mas isso não esgotava toda a vossa ocupação, pois muitos tratavam da horta, da pintura de alguma porta ou... até da matança dos porcos que esperavam por vós. E o ti João era o matador do nosso canto.

Não vamos deter-nos muito na cena; lembro apenas aquela vez que, estando o animal já «morto» e a ser chamuscado, aí se levantou presto e pôs-se a correr pelo carreiro...

Mas o que importa é agradecer-lhe o cuidado que punha na preparação da bexiga que servia para as nossas jogatanas... até rebentar!

Tem saudades o

Manuel

sábado, 14 de fevereiro de 2026

MÁRIO FILIPE RAMOS


 

Olá Tio Mário:

Na fotografia lê-se NEPTUNO SEGUNDO 1948!

Parece que ainda estou a ver o Tio sentado no bote a remar para vir ao cais do Forte buscar a Tia e o vosso filho Amílcar (claro que eu também fui!). O navio tinha encalhado no canal de S. Jacinto, na restinga das duas águas.

Chegados, levou-nos para o rancho e aqui aconteceu a maravilha de bebermos café quente e comermos um pedação de parrula que saciou a nossa fome! Passados todos estes anos como é que aquele sabor ainda perdura!?

E quantas vezes fomos à festa de Nossa Senhora dos Navegantes: o Tio à frente a tocar a sua concertina e nós atrás a marchar alegremente como se o mundo fosse nosso?!

Tem muitas razões para lhe estar grato o seu sobrinho

                                                                        Manuel