sábado, 27 de junho de 2026

JOSÉ CALÇÃO


 

Caro Amigo Zé:

Clubite... todos conhecemos esta doença. É só olhar para o artista da esquerda! Todos temos estórias mais ou menos patéticas e que podíamos contar e recontar uns aos outros.

E sabe uma coisa? Tenho a dizer-lhe que, quanto a mim, foi o maior doente que conheci.

Quando o seu Benfica ganhava, toda a sua face se iluminava e os olhos rebrilhavam e quase saltavam das órbitas.

Mas se o resultado lhe era desfavorável.... Bem, o meu amigo Zé desfazia-se em lágrimas e chorava, chorava que nem uma criancinha.

Lembra-se? Muitas vezes o arrastei para passear da Palmeira até à Cambeia, para arejar; e repetíamos o passeio, uma e mais vezes, até o peito deixar de lhe arfar e as lágrimas já não caírem a ensopar-lhe a manga da camisola.

Será que o seu Benfica merecia tão grande amor depois de ter perdido?

                           Manuel

sábado, 20 de junho de 2026

MANUEL TEIXEIRA ESTANQUEIRO


 

Caro Amigo:

Como vão longe as jornadas do Real Senhor!

E as corridas de bicicleta em que tu nos deixavas com o peito apertado e de grito pronto quando te punhas de braços abertos e de pé em cima do selim! Louco! Só podias ir para piloto aviador!

São Jacinto te serviu de Escola e te lançou para o espaço que te atraía e onde passaste a navegar tal qual como fazias quando querias chegar à salina do teu pai.

Também passei pela BA7, como sabes; mas aquilo agora está muito diferente; nem te digo nada.

Voltemos atrás, porque … foi na estrada do ti Melrito que a nossa Amizade nasceu e chegou a um ponto tal que não mais nos deixou e ainda hoje nos serve de refúgio quando os dias são mais cinzentos...

Com a sensação do mergulho na Lagoa da Base a seguir ao voo do batismo te saúda o

                                Manuel

sábado, 13 de junho de 2026

HORTÊNCIO MARQUES RAMOS



            Olá Hortêncio:

Tanto havia para acertar a conversa, mas esqueçamos as futeboladas, os mergulhos no poço da Cambeia, as serenatas à Ria no Paredão Arrunhado e um sem-número de vivências que só a nós nos daria gozo e prazer. Vem daí e sentemo-nos na tua barbearia nesta hora em que a freguesia não aperta.

Naquela altura, centros culturais, bibliotecas ou outros espaços abertos à Comunidade não existiam. Acorríamos à tua barbearia onde nos brindavas com o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante, os  Três Mosqueteiros.

Era para aí que corríamos nas horas livres e nos refugiávamos no mundo maravilhoso das aventuras, praticando a nossa leitura nas narrativas e nos balões que nos levavam até às longínquas regiões que os desenhos animados nos ofereciam nas quadrículas. Lembras-te?

Esgueiremo-nos em silêncio e fica com o abraço do

                                                                           Manuel

 

sábado, 6 de junho de 2026

ORLANDO DE OLIVEIRA

Senhor Doutor:

Fui seu aluno no Liceu de Aveiro e foi marcante a vivência das suas aulas; ali respirava-se aprumo, competência, ciência. Fazia parte de um grupo de Professores de excelência.

Contudo, perdoar-me-á a inconfidência (que até hoje não revelei a ninguém!) ao contar o que se passou naquela tarde do início de Outubro de 1956 em que me chamou à Reitoria. Alguma ansiedade e inquietação surgiram no meu espírito, logo dissipadas pelo acolhimento sorridente. E a certa altura propõe-me:

- Não deixes o Liceu, continua connosco. O Liceu paga todas as despesas com a tua formação!

Ora eu, que já tinha as malas prontas e resolvido abalar para o Futuro, fiquei sem terra debaixo dos pés e senti que as nossas almas se abraçaram... e o Senhor, ao ouvir as minhas razões com a minha negativa, sorriu e desejou-me boa sorte.

Nunca mais nos encontrámos fisicamente, é verdade, mas consigo vi a Ria de Aveiro, a nossa Ria, com novos olhos e na sua companhia admiro e contemplo a nova Aveiro do Conservatório e da Universidade.

A sua figura acompanha a de José Estêvão no coração do

                                                        Manuel


 

sábado, 30 de maio de 2026

MANUEL RAMOS, o RUÇO


 

Viva Ti Manuel:

Estou convencido que nunca mais se esqueceu, pois não? Foi de grande aflição esse dia 5 de julho de 1951; não vale a pena essa lágrima ao canto do olho mas a coisa foi grave e deu que falar.

Eu era pequenote mas lembro-me que o seu Francisco se viu à rasca para se safar de dentro da cabine; foram uns minutos muito complicados. Depois retirar a camioneta; ...; reparar a ponte...

No meio disto tudo fizeram-se muitas perguntas (a carga da areia era de 5 toneladas e a ponte aguentava 7? E se fosse a camioneta da passageiros?...).

Mas sabe o que recordo passados estes anos? Foi quando vimos a sua camioneta a rolar novamente na estrada! Aquilo é que foi: até saltávamos!

Olhe que ainda hoje o recorda e admira o

                                                            Manuel

sábado, 23 de maio de 2026

MANUEL RIBAU TEIXEIRA



Olá Manuel:

Esta imagem leva-nos até àqueles tempos em que toda a Ria era nossa, a começar pelo Esteiro e pela Borda. Grandes jornadas! Mas queria recuar ainda um pouco mais, pode ser?

A primeira ida para o Liceu. Fomos ter a tua casa e muito te recomendaram que tomasses conta de nós (o Manuel Rito e eu); mal sabíamos andar de bicicleta e nem chegávamos ao selim (o do nosso companheiro foi substituído por um saco de serapilheira...).

A viagem era diária, chovesse ou fizesse sol, com vento a favor ou a senti-lo forte na cara, lá íamos e os cinco anos que pedalámos por aquela estrada, entre as tamargueiras, foram uma escola magnífica de companheirismo, de entreajuda e de conduta..., até se aproveitava para rever a matéria dada nas aulas da véspera.

Com um abraço amigo, até cantar Vitória apetece ao

                                                    Manuel


 

sábado, 16 de maio de 2026

MANUEL ÓSCAR DA ROCHA FERNANDES

Caro Óscar:

Se calhar nem imaginas que a tua bicicleta foi oferecida pelo teu Pai para eu ir todos os dias para o Liceu de Aveiro. Claro que teve de ser “restaurada” porque lhe deste um bom uso; foi repintada de verde e baptizada como a Balalaica!

Companheira fiel durante cinco anos (lá para o quarto ano os joelhos já batiam forte no guiador... mas não havia outro remédio: teve que aguentar!), não admira que tenha tido as suas maleitas, logo a começar pelos pedais, ora caía o direito ora o esquerdo; depois era a corrente...

Uma coisa te digo: estou-te muito grato pois, sem ela, ir para Aveiro a pé seria mais custoso... (os tostões eram tão escassos que às vezes nem para a bucha chegava! Belos tempos para esquecer!) e por isso aqui fica o abraço do

                                        Manuel