sábado, 31 de janeiro de 2026

JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA


 

Pai:

Foi, de facto, o tabaco que o arrebatou do nosso seio cedo demais; contudo o Pai fez da sua vida um cântico belo que nos legou.

Bem se esforçava para assinar o seu nome que saía sempre às cambalhotas e com algumas letras trocadas; mas ao limpar o suor que o esforço provocara, sorria e revia-se na sua assinatura.

Era assim também com os filhos: cada um era uma flor que contemplava, acarinhava, repreendia e lançava para o futuro. E lá vinham as sentenças: Juízo e tino e corda para o sino! A cama que fizeres nela te deitarás!

O que também nos admirava era a preocupação que mostrava pelos outros, a começar pelos camaradas de trabalho. Então a palavra prudente da Mãe o fazia repensar e o trazia para a realidade da vida e não ficar sem a camisa!

Olhe, e sabe uma coisa? Ainda hoje, de ir consigo à Missa ao nascer do Sol e ficar no altar do Sagrado Coração de Jesus, tem saudades o filho

                Manuel

sábado, 27 de dezembro de 2025

MARIA DAS DORES DA ROCHA

 

Mãe:

Sem saber ler nem escrever, sempre me fascinou a extraordinária maneira como conjugava os verbos ser, ter, partilhar.

Chegar o Pai a casa, pôr em cima da mesa a magra e apetecida féria, era um momento!

Vê-la deixar tudo o que estivesse a fazer para se sentar a olhar para as poucas notas e moedas juntas naquele montinho, era o segundo momento!

E começava «Tanto para a loja; este para uns tamancos para a Isaura; para o caderno do Artur este...» e concluía voltada para o Pai:

- Toma lá vinte e cinco tostões para o tabaco da semana... que ele é que te há-de levar à sepultura!

Como gostaria de não esquecer as suas lições e sentir sempre o calor do seu colo o filho

Manuel 


sábado, 20 de dezembro de 2025

MARIA DE NAZARÉ

 


            AVÉ MARIA:

Cheia de graça

o SENHOR é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres

bendito é o fruto do vosso ventre: JESUS!

SANTA MARIA

Mãe de DEUS

rogai por nós pecadores

agora

e na hora da nossa morte

Amém

RAINHA DA PAZ, intercedei por nós junto do Vosso MENINO para que haja Paz nos nossos corações, nas nossas Famílias, no nosso Portugal e em todo o Mundo – isto Vos ousa pedir o

Manuel


A Todas e a Todos um

FELIZ NATAL

sábado, 13 de dezembro de 2025

VALENTINA TERESHKOVA

 

Ilustre Astronauta:

Sabe uma coisa?

Fez-me regressar aos meus tempos da juventude para recordar os livros de Júlio Verne; depois aquele dia em que no comboio de viagem para Coimbra se lia a notícia do SputniK; para a seguir se falar na cadela Laika lançada no espaço a orbitar a Terra.

A sua viagem ao espaço, a primeira de uma mulher (e sozinha!), é daqueles acontecimentos que nos faz ficar de olhos fitos no firmamento e perguntar Afinal o Homem sempre conseguirá ir até ao Infinito e mais além?!

Por este sonho a admira o

Manuel 

sábado, 6 de dezembro de 2025

ANTÓNIA RODRIGUES


Antónia:

Nem sei como a trate.

Rapariga simples das nossas terras, fingir-se de rapaz e vestir-se como um deles, já é de admirar. Agora ir combater os ‘inimigos’ com valentia, considerada como ‘herói’, chegar a ‘comandante’, isso já é outro grau.

Curioso e intrigante é como conseguiste andar em todas essas aventuras sem descobrirem quem tu eras; foi só quando o fidalgo se quis casar contigo, tu é que revelaste que eras rapaz!

Promete contar o resto da estória o

Manuel

sábado, 29 de novembro de 2025

ZULMIRA DOS PRAZERES BARBOSA

Senhora Professora:

Tenho guardado este postal de Natal que me escreveu no ano em que completou cem anos de vida!

Como o tempo passa! Mas é bom recordar e ter presente o quanto lhe devo. Foi o seu zelo e a sua persistência que me ajudaram a aprender as primeiras letras. Claro, tive que levar o meu banco para me sentar que as carteiras não chegavam para todos os rapazes. Mas apesar desse número exagerado tinha tempo para cada um de nós; ainda hoje me pergunto como conseguia, com a sala atulhada e as quatro classes, dar as aulas e levar alunos a exame. Vivia de facto para nós!

D. Zulmira, é seu fã o

Manuel 


 

sábado, 22 de novembro de 2025

ANNE FRANK


 

Anne:

Foi o Diário o teu refúgio. Para nós que o lemos foi o voltarmos para o tempo da mesa sem pão e dos aviões de S. Jacinto a voar por cima de nossas casas.

Não! Não! Não! Três vezes NÃO, aos horrores da guerra! Não queremos que esses tempos voltem! Não queremos sequer imaginar o que passastes e o fim que tivestes.

Obrigado pelo teu Diário. Pena é que a humanidade não aprenda e continue a repetir as mesmas atrocidades.

Mais uma vez: Obrigado!

Manuel