sábado, 31 de outubro de 2026

ANTÓNIO TAVARES AFONSO E CUNHA

Senhor Padre Nédio:

Olhe, sabe uma coisa? A sua boa disposição fazia-nos bem e a sua conversa era animadora. Pegava na voz do povo e lá íamos: « O Senhor dá os dias de graça e pelas noites não leva nada!» Ou então: «Mais vale um ano de tarimba do que cinco de Coimbra.»

Logo a seguir podia vir a receita para uma suposta dor: «Dor ciática? Nada que não se resolva com  2 pinhas verdes, folhas de hera; tudo metido em aguardente; ferver … friccionar.»

E as suas histórias? As cenas da vida?

Lembro só aquela de «o morto que matou o vivo. Eu estava em Rocas. Numa terra lá perto houve um funeral; quatro homens levavam o caixão. A dada altura, um dos homens de trás, escorregou, e os outros não seguraram. Resultado? O caixão caiu-lhe em cima e matou-o! … Foi assim que o morto matou o vivo!»

Era um nunca mais acabar! Mas fiquemos por aqui agora com o bem-haja do

                                                    Manuel


 

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