sábado, 3 de outubro de 2026

ÂNGELO RUELA CIRNE

Senhor Padre Ângelo:

Melhor do que eu nos falará o seu grande Amigo D. Júlio Tavares Rebimbas [no livro Alegria de Viver, p. 133]:

«O meu amigo, padre Ângelo Ruela Cirne, mais velho do que eu dois anos, inteligente e de reacções imprevistas, morreu numa reunião de curso no caminho de Abrantes para o Monte da Murtosa, onde era pároco exemplar. Tenho a maior veneração pela sua memória e foi um grande amigo que perdi. Um dia – éramos ainda estudantes - convidaram-no para pregar um sermão a São Gonçalo de Amarante.

Com muita insistência lá o convenceram. Era no mês de Janeiro, no tempo das castanhas assadas e, seja o que Deus quiser.

Pregou, andou pelas circunstâncias, entusiasmou-se e, quando o sermão ia a meio, entalou, começou a gesticular, nós fugimos depressa da capela e ouvimos ainda: “... o São Gonçalo era, não era, foi, não foi, mas devia ser e não devia ser, não era o casamenteiro das velhas como corre para aí, mas como remate, era um santo, um santo, um santo”: “come il faut” e consegue o cúmulo do entusiasmo com a tradução livre: quer dizer: “um santo que Deus te livre!”... Fugimos todos e o santo deve ter sorrido dos encómios entusiasmados do saudoso padre Ruela.

À porta da capela um velhote saía depressa e outro que entrava: “onde é que vai com essa pressa, senhor José”?!... “Vou sair depressa da capela que o padre está lá metido numa alhada e não sei como sairá dela.”»

Aceite a admiração grata do

                                                        Manuel 


 

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