sábado, 1 de agosto de 2026

BALTAZAR RAMOS CASQUEIRA


 

Caríssimo:

Fui um privilegiado: foste um grande Amigo!

Hoje vou recordar um momento da tua agitada vida que nos mostra uma das facetas da pesca do bacalhau e aproveito para te pôr a falar como tanto gostavas de fazer:

«QUE GRANDE SUSTO! Foi o susto mais duro da minha vida da pesca do bacalhau, para além dos maus tempos, nevoeiros, tempestades...

Era de noite. Regressava da faina, à vela e a remos. Mas estava sozinho, ninguém perto de mim.

Então um dos remos bateu em algo... e que vejo!?... encostada ao bote uma baleia que veio à superfície respirar....alto e forte jacto de gás e água... mergulhou novamente e ... levantou do outro lado do bote...

Paralisado e sem saber o que fazer, comecei a remar ao desatino... lembrei-me de escoar a água ensanguentada do fundo do bote que ao cair no mar espalhava a arda... talvez a baleia fosse atrás do cheirume do bacalhau...e remar com quanta força tinha...

Fosse como fosse, deixou-me e consegui chegar ao navio!»

Aí o tens e, por alguma imprecisão e pela falta de colorido, te pede desculpa o teu compadre

                                                           Manuel


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