Senhor Doutor:
Fui seu aluno no Liceu de Aveiro e foi marcante a vivência das suas aulas; ali respirava-se aprumo, competência, ciência. Fazia parte de um grupo de Professores de excelência.
Contudo, perdoar-me-á a inconfidência (que até hoje não revelei a ninguém!) ao contar o que se passou naquela tarde do início de Outubro de 1956 em que me chamou à Reitoria. Alguma ansiedade e inquietação surgiram no meu espírito, logo dissipadas pelo acolhimento sorridente. E a certa altura propõe-me:
- Não deixes o Liceu, continua connosco. O Liceu paga todas as despesas com a tua formação!
Ora eu, que já tinha as malas prontas e resolvido abalar para o Futuro, fiquei sem terra debaixo dos pés e senti que as nossas almas se abraçaram... e o Senhor, ao ouvir as minhas razões com a minha negativa, sorriu e desejou-me boa sorte.
Nunca mais nos encontrámos fisicamente, é verdade, mas consigo vi a Ria de Aveiro, a nossa Ria, com novos olhos e na sua companhia admiro e contemplo a nova Aveiro do Conservatório e da Universidade.
A sua figura acompanha a de José Estêvão no coração do
Manuel

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